
Foi assim, deixa que eu conto, a gente chegou no aeroporto, tinha um avião pousando, ficamos na expectativa de ver uma pessoa pequena, cabelos compridos, pequena, com um mochilão nas costas, pequena, e pequena, foi quando eu disse “ela vai estar de xadrez”, eu não sabia disso, ninguém tinha me informado, foi minha intuição, aquela coisa de sexto sentido, eu acho, não sei, não entendo muito bem disso, deve ser porque não sou bem mulher. Ficamos as três, eu, minha mãe, que cada pessoa que saia do avião, independente de raça, cor, tamanho, sexo dizia “É ELA”, e minha melhor amiga ali, vidradas na escadaria do avião, era um avião da Gol, e eu não sabia qual era a companhia aérea dela, na verdade, já deu pra perceber que eu não sabia de nada né, pois é no dia anterior a vinda, iríamos conversar, combinar algumas coisas, mas ela resolveu sair, e deixar o celular em casa, acho isso muito legal quando se vai viajar no outro dia cedo, liguei pra casa dela e a Dona Ira atendeu, “posso falar com a Jéssica?” Quase um minuto, e depois de muitos berros, ela descobriu que Jéssica não estava em casa, e que o celular dela estava ali, tocando em cima da mesa, sim, eu estava ligando.Tudo bem esperei ela voltar e resolver falar comigo, ela foi, mas ai, tinha coisa melhor pra fazer, as unhas deviam ser pintadas, o que importava que ela viria pra uma cidade estranha? Com pessoas estranhas? Um lugar estranho... Então, desceu todo mundo daquele avião, chegamos a conclusão de que não era o vôo dela, subimos, descemos, andamos pra lá e pra cá, até que pousa outro, da Tam agora, uma multidão de quase cinqüenta pessoas ali, esperando seus familiares, amigos, e seja lá o que for, eu me enfiei no meio de todo mundo, parei do lado de uma freira, até que vi uma mine pessoa descendo as escadas, calça jeans, blusa branca, e um casaco xadrez, o xadrez que eu tinha previsto, um ray-ban no rosto... Não fui só eu, depois de ter visto obrigadamente dez mil vezes o álbum dela minha mãe a Nicole também conseguiram reconhece-la, eu não sei, eu travei, só lembro de ouvir um “abre esse cartaz” saindo da boca da minha mãe, e eu abri o cartaz, de ponta cabeça, e virei, vi ela rindo, mas eu ainda estava paralisada, fomos pra porta do desembarque e eu travada, andando de um lado pro outro, até que vem ela, puxando uma mala, a mochila nas costas, com o óculos na cabeça, “Isso não é uma pessoa, é um anão” Foi o que eu consegui falar na hora, dei um super abraço, do tipo, ‘não me solta nunca mais’, e soltei, minha cara de pastel deve ter sido a melhor, eu continuava travada, nunca travei tanto na minha vida, minha mãe e a Nicole bancando as simpáticas, não, elas não são simpáticas, depois de alguns minutos, a gente entrou no carro, e estávamos indo rumo ao centro, eu não fazia nada alem de gagagagagagaguejar e tremer, mas como eu tremia, senhor. Não lembro muito bem o que falamos no carro, não lembro muito bem o que falamos depois, não lembro bem quando foi que eu destravei. Não queria comentar que tivemos que tomar suco porque não tinha cola-cola no Mc, nem que o shopping pegou fogo, e nem que quando eu ia abraça-la involuntariamente minha mão parava no peito dela. Na verdade tem muitas incomentáveis, que eu nem vou comentar...