-Mas eu nunca disse que nunca iria partir, sempre fui sincero com você!
-Eu achei que você me amasse, achei que... Deixa pra lá.
-Eu não disse que não te amo! Eu simplesmente tenho que ir.
E tudo que passava pela cabeça dela parecia ser insuportável, qualquer caminho que pudesse tomar seria duro de mais.
Ele realmente partiu, levou o coração dela e tudo que eles planejaram um dia, tudo dentro de uma única mala, uma mala de couro velha e feia, e ela ficou de longe vendo ele partir. Ele foi em direção a uma esquina clara, o sol brilhava e ela não podia ver, mas ele soluçava, e as lagrimas que caiam de seus olhos deixavam a nova blusa encharcada, ele mal via o chão onde pisava.
-Pode parecer estranho, mas creio que tenha sido mais doloroso a ele que a ela.
Falou o homem a beira de seus oitenta anos ás crianças que todo dia aparecem na varanda da casa para ouvir uma história.
Uma menina, a mais velha do grupo, pergunta então:
-Se doeu, então porque ele se foi?
-Ele não sabia, minha querida, o que era amor. Ele aprendeu com a falta dela. Ele perdei uma parte de si naquele dia, como em um acidente fatal.
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